Voluntariado vs Volunturismo: dicas, alertas e quais as diferenças?

O voluntariado deve ser acompanhado de uma etapa de formação para o voluntário, que lhe permita perceber os contornos de toda a ação de forma consciente e com as competências necessárias. O voluntariado relaciona-se com uma atitude de cooperação e compromisso prolongado, gerando impacto de uma forma regular e constante. Há quem seja voluntário em associações da sua região, há quem passe algum tempo no terreno e até fora do país. Se optares pelo último caso, não te esqueças de fazer o teu seguro de viagem, para que imprevistos não te estraguem os planos.
Já o “volunturismo” normalmente assenta em ações de voluntariado pontuais, não se estabelecendo nenhum compromisso entre o voluntário e a comunidade. Este tipo de ação normalmente está incluído num formato de férias e o impacto poderá não corresponder ao esperado. Entrar numa comunidade culturalmente diferente da nossa, por pouco tempo e sem ações bem estruturadas poderá ser insustentável.
Quando se integra um projeto de voluntariado é essencial que o mindset seja o certo. Estamos ali para ajudar a comunidade local a solucionar alguns problemas, a desenvolver estratégias para o futuro e não por pura diversão ou satisfação pessoal.
Para olharmos para este tema mais de perto, deixamos-te aqui alguns pontos essenciais:
O voluntariado pode mudar vidas

A tua ação tem um impacto real. Quer seja a plantar árvores, distribuir comida, criar projetos locais, desenvolver negócios de apoio à comunidade, (…) – a tua ação tem mesmo um impacto real. Mas devemos alertar que uma ação que gera impacto é uma ação que deve ser bem pensada. Se por um lado pode ter consequências positivas, por outro lado, também pode ter negativas! Um conselho que deixamos: escolhe bem o projeto e tem a certeza que mudará vidas de forma sustentável.
Devemos “ensinar a pescar” e não “dar o peixe”
É importante pensarmos que quando entramos num projeto de voluntariado, em Portugal ou no estrangeiro, levamos connosco crenças, aprendizagens e tradições pessoais. O nosso “modus operandi” pode ser muito diferente, e até contraditório, do método local. O apoio deve passar pelo desenvolvimento de estratégias, pensamento crítico e ajuda à implementação, mas não a implementação por si só.
Mas atenção: o intuito não deve ser ensinar porque “quem é voluntário sabe mais”, mas sim ajudar os locais a pôr as competências pessoais em prática. A ideia é passar as ferramentas, para que os intervenientes a possam concretizar, de forma autónoma, daí para a frente.

O voluntariado é acessível a todos
Diz-se, em erro, que fazer voluntariado é caro. Não é. Mesmo.
Primeiro, podes ser voluntário no teu bairro, na tua cidade, prestando apoio a associações ou por ti mesmo, gerando impacto através de boas ações.
Segundo, para todos os que querem fazer voluntariado fora do país: sabias que existem experiências de voluntariado internacional completamente financiadas? As oportunidades são muitas e só dependem de ti. Pesquisa, pergunta, fala com quem já fez, envolve-te em associações e não desistas à primeira barreira. É simples e pode mudar a tua vida e de outros.
Tu és o convidado
Este ponto é dedicado a todos os interessados em fazer voluntariado fora da sua cultura e “zona de conforto”. Quando se emerge numa comunidade diferente da nossa, com tradições próprias e formas de vida próprias, é importante sublinhar que nós é que somos os “diferentes”. Ao contactares com atitudes diferentes das esperadas, com que muitas vezes não concordarás, é importante distanciares-te por momentos e teres a oportunidade de refletir. Naquele local aquelas são as tradições e por muita confusão que nos cause, são o normal lá. O nosso background é isso mesmo – o NOSSO background.

Quando a boas intenções não chegam
A verdade é que nem todo o trabalho voluntário é positivo ou sustentável. Apesar de acreditarmos que quem se dedica a causas de forma voluntária tem boas intenções, isso nem sempre chega. O “volunturismo” está a gerar cada vez mais situações de risco, por exemplo, a Unicef estima que 75% das crianças em orfanatos no Cambodja não são, na verdade, órfãs. Tudo porque certas associações locais se aproveitam do interesse dos turistas e transformam os orfanatos em verdadeiros negócios. Esta questão é muito sensível e deves garantir que não estás a ajudar mais um desses negócios.
Para além de que alta rotatividade de voluntários pode ser prejudicial, pela criação e, recorrente, quebra de ligações emocionais. Por isso, se o teu tempo é curto, opta por projetos que não envolvam a componente humana, podes plantar árvores, trabalhar em abrigos, ajudar a construir casas, entre muitos outros projetos. Porquê? Para que não se criem ligações emocionais fortes, que serão quebradas dentro de semanas e isso gere um impacto negativo.
O voluntariado vai mudar a tua vida
A mudança acontece de forma natural e o teu gesto pode fazer a diferença, só depende de ti. Pode levar tempo, exigir mais esforço do que calculavas, dedicação contínua e um nível de compromisso alto, mas acredita, vale sempre a pena.
Lança-te ao voluntariado. Cresce. Aprende. Gera impacto. Sê sustentável.
Está na hora de mudares vidas. Lembra-te que podes começar por ajudar os teus, o teu bairro, o teu país. Fazer voluntariado é possível para todos. Não te irás arrepender de gastar do teu tempo por uma causa em que realmente acreditas.
Autores: Gap Year Portugal
