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O famoso retiro espiritual Vipassana

O famoso retiro espiritual Vipassana

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Num mundo cada vez mais evoluído e tecnológico, o stress e a ansiedade são também palavras de ordem. Cada vez estamos mais cansados e ansiosos e problemas como a depressão e o burnout são uma realidade na nossa sociedade atual. Práticas como o yoga, a meditação e o mindfulness têm ganho voz nos últimos tempos, como soluções para o caos em que se tornou o nosso dia-a-dia. A oferta não pára de aumentar e cada vez mais há mais ofertas de retiros e experiências espirituais, uns mais exigentes, outros mais caros, enfim, há para todos os gostos. Contudo, o mais famoso e mais exigente é sem dúvida o Retiro Vipassana, lecionado de forma absolutamente gratuita, em todo o mundo. E é neste retiro que a IATI Seguros se vai focar no artigo de hoje. Mas antes de embarcar numa jornada espiritual, não te esqueças de subescrever o teu seguro de viagem com a IATI para que possa viajar com o máximo conforto e segurança. O que signfica Vipassana? Vipassana significa “ver as coisas como elas são”, isto é, ver a realidade tal e qual como ela se apresenta, sem o nosso ego e a nossa interpretação pessoal. Vipassana é uma técnica de meditação que foi popularizada pelo birmanês S. N. Goenka, que espalhou a técnica por todo o mundo e criou centenas de centros de meditação. A base da técnica passa pela concentração na respiração e nas sensações corporais. Como funciona o retiro espiritual Vipassana? Os cursos têm uma duração de 10 dias sendo que este é considerado o prazo mínimo necessário para se sentir/cultivar os efeitos pressupostos. Todo o curso é feito em silêncio absoluto, o chamado “Silêncio Nobre” e há um conjunto de regras que devem ser seguidas. As mais importantes são conhecidas como “Os cinco preceitos” e incluem: • Não matar nenhum ser vivo • Não roubar • Não ter qualquer tipo de atividade sexual • Não mentir • Não ingerir nenhum tipo de intoxicantes (álcool, tabaco e certos medicamentos) Regras do retiro Outras regras incluem respeitar o silêncio absoluto, assim como a área designada para cada sexo (há uma zona para mulheres e outra para homens, sem misturas). No início do curso deixamos num cacifo tudo o que seja telemóveis, computadores, livros, cadernos, canetas, auriculares, etc. Isto porque é também proibido ler, escrever e ouvir música. De uma forma geral apenas estamos autorizados a dormir, comer e meditar. Há também um horário afixado que deve ser rigorosamente cumprido. O dia começa às 4h da manhã sendo que a primeira meditação começa logo por volta das 4:30h. Ao longo de todo o dia seguem-se 12h de meditação que podem ser feitas em grupo, no hall de meditação, ou no nosso quarto, consoante aquilo que nos for dito no momento. No final do dia existe uma vídeo aula, dada por S. N. Goenka. Quanto à alimentação, está é também bastante condicionada: o pequeno-almoço é servido às 6h30 e o almoço às 11h. Para quem está a fazer o curso pela primeira vez, tem ainda direito a uma peça de fruta às 17h. Não há jantar e as refeições são todas vegetarianas e livres de alimentos processados. Os dormitórios são geralmente partilhados entre duas ou mais pessoas e são bastante simples, apenas com aquilo que é essencial. Conclusão No fundo, aquilo que se pretende com esta abordagem, é, durante 10 dias, retirar da nossa vida tudo o que sejam distrações, seja na forma de comida, de entretenimento e, fundamentalmente, de ego. O objetivo é, ao longo dos dias, acalmar a nossa mente e treinar a nossa capacidade mental de nos observarmos a nós próprios, tal como somos. Somos também de certa forma treinados a aceitar a impermanência da vida. Claro que é uma experiência dura e que não é recomendada para toda a gente: estamos a sujeitar-nos a condições bastante duras e contranaturas, e, portanto, deveremos ter já alguma estrutura emocional antes de nos sujeitarmos a esta experiência. O retiro não é recomendado para pessoas que estejam a passar por depressões ou por momentos difíceis na vida, pois o silêncio e a introspeção podem agravar as suas condições. Contudo, é uma experiência de vida única que nos enriquece em todos os sentidos, pois por muitos que por vezes nos custe aceitar quem somos ou o que queremos, a verdade é que, aqui durante 10 dias, vamos ser nós próprios, sem máscaras nem filtros. E num mundo onde cada vez mais nos falta tempo para pousarmos a cabeça e nos analisarmos, poder ingressar num retiro destes é um privilégio. Esta experiência tem suscitado cada vez mais interesse e são já alguns os famosos que se desafiaram. Tal como disse Jack Dorsey, CEO da twitter, “Estive 10 dias em meditação silenciosa. Uau, que recomeço! Afortunado e grato por me ter dado tempo para isso.” Os cursos são totalmente gratuitos, sendo possível fazer um donativo no final, se assim pretenderem. No site oficial estão descritos todos os centros de meditação existentes em todo o mundo bem como os próximos cursos a serem lecionados. Artigo escrito por: Patrícia Carvalho

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A experiência de viajar de comboio pela Índia

A experiência de viajar de comboio pela Índia

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Se existe experiência icónica para ser vivida na Índia, é fazer uma viagem de comboio. Eu fiz. Para reforçar a coisa, fiz essa viagem à noite, com a duração de 8 horas. Num dos últimos dias da minha viagem pela região de Kerala, fiz a ligação entre Kanhangad e Kochi de comboio. Era inicio de noite quando cheguei à estação local. Enorme e tal como em todos os lados da Índia, com pessoas por todo o lado. Umas deitadas, outras cheias de filhos, outras com animais. Normal. Estava um calor infernal, de colar a roupa ao corpo e de não se estar confortável em lado nenhum. Com cerca de meia hora de atraso lá chega o comboio, literalmente, a perder de vista. Era gigante. Não existe primeira classe ou algo parecido por ali. Existem duas hipóteses ou vais sentado ou vais deitado. Eu tinha bilhete para a hipótese deitado. Cada compartimento tinha 8 camas, num espaço com pouco mais de 9m2. Eu estava a viajar com um grupo de cerca 30 viajantes, de várias nacionalidades. Quase todos ficaram juntos. No meu compartimento, apenas ficou uma viajante ucraniana. O resto, tudo indiano. Primeiro “problema”, para 8 camas, existiam umas 15 pessoas. Ou seja, esta malta compra um bilhete para uma pessoa, e esse bilhete dá também para os filhos e os sobrinhos. Assim que lá cheguei, era a anarquia total. Apesar de todos indianos, poucos falavam a mesma língua e pela confusão com os lugares poucos tinham andado de comboio anteriormente. Resultado provisório, a viajante ucraniana fugiu e eu só me ria. Cumprimentei um a um. Passados 5 minutos já estava sentado no meio deles. Nessa altura percebi que dois, um casal, falava um pouco de inglês. Passados 15 minutos já estava a mostrar fotografias da minha viagem pela Índia. Passados 30 minutos, mesmo os que não falavam inglês já me tratavam pelo nome e já tinham guardado uma cama, com lençóis para mim. Passado uma hora, o filho do casal já era o meu melhor amigo e passava o tempo em cima de mim para brincar com ele. Durante as cerca de 4 horas de viagem sem estar deitado, para dormir, mostrei fotos de Portugal, mostrei fotos da Liliana, falei na Alice, mostrei vídeos do Youtube a mostrar receitas de bacalhau, enfim, deu para quase tudo. Sempre na maior da tranquilidade. Enquanto eu confraternizava com os meus novos amigos indianos, o meu grupo de viagem mantinha-se compacto. No nosso grupo existam também indianos, fotógrafos, guias ou membro do departamento de turismo. De vez em quando lá passavam pelo meu compartimento e riam-se por eu estar feliz e contente no meio daquela algazarra toda. A bem dizer, isto já era procedimento comum meu ou melhor, os indianos em muitas outras situações já tinham procurado conviver comigo, com mais frequência do que com os meus companheiros de outros países. Um fotografo indiano, o Jinson, tinha uma teoria que era por eu ser moreno e ser parecido com os indianos. Numa das passagens pelo compartimento, o Jinson, mais uma vez, riu-se e disse qualquer coisa do tipo “lá estás tu outra vez no meio dos indianos”. Eu ri-me e expliquei ao casal que falava inglês a teoria do Jinson. Ao que a mulher responde com um cara de espanto a olhar para mim e diz: “tu não és nada parecido com os indianos, tu és é muito simpático. E nós gostamos de pessoas simpáticas”. É claro que ia morrendo de orgulho. Antes de deitar, despedi-me de todos, em especial deste casal e do seu filho. Até trocámos e-mails. Crónica escrita por Carlos Bernardo, O meu escritório é lá fora Outras crónicas do Carlos Bernardo: • “Welcome to India” e a chegada a Trivandrum • Visitando La Valetta, Malta • O mercado semanal de Rissani • 10 dias em São Roque do Pico

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